a cama ainda por fazer revelava que a noite tinha sido pesada, como sempre o era.
no quintal, o balé das roupas no varal, levadas pelos passos suaves do vento, iam e vinham como a convidá-la a dançar.
de novo, de novo e de novo… tudo estava como sempre estivera… sua vida inacabada, não concluída, desorganizada.
era essa a pior parte de se ter a consciência de que tudo continuava a ser como antes. saber que para haver uma mudança deveria haver movimento, vontade, iniciativa. e que tudo dependia de suas escolhas. e que suas escolhas, até então, tinham sido as piores possíveis.
voltou a olhar as louças, a cama, as roupas no varal e, numa fuga inconsciente, sentiu felicidade de estar amparada em seu mundinho errado.
assim, como estava, a vida não cobrava decisão…
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