Ele apareceu e, fortuitamente, sem demora foi embora… só veio para matar a saudade de tempo grande sem se ver. Chegou, beijou e se foi, levando consigo a vontade que ela tinha de ser feliz, as esperanças que ela guardava de uma volta definitiva.
Ele levou consigo bem mais que sua figura física. Levou também algo que ela não poderia, porque não saberia dizer. Talvez ele tenha carregado o brilho que ela reservava a cada visita em que o esperava tão cheia de devoção, tão embargada de anseios de que um dia, aquele relacionamento aconteceria, de fato, nesta vida.
Contudo, depois que ele se foi, não havia tristeza em seu olhar. Era mais um misto de saudade mal curada com perplexidade por haver descoberto o que sempre esteve visível diante daquele relacionamento tão conturbado, tão cheio de altos e baixos e de intervalos imensos. Tão aparente era a situação que ela se espantou de nunca tê-la decifrado.
Era isso… ela sempre estaria do outro lado da ponte do rio de vidas que os separavam.
Para ele, era confortável saber que ela sempre estaria ali. Esperando-o. Com aquele sentimento de amor e esperança. Que seria resistível ao tempo, às intempéries, aos desafios propostos pelo cotidiano longe dele. Era ela quem o ligava ao seu passado. Era sua presença ali, na outra margem do rio que o fazia suportar as dificuldades da vida, que o fazia sentir-se seguro porque, se nada desse certo ao final, ele sempre teria um motivo para voltar.
Esse saber não a afetou de maneira negativa. Ele não fazia por mal e ela bem o sabia. Era apenas uma questão de sobrevivência e ela podia ajudá-lo. Assim sempre foi. Ela não achava ruim o fato de sua presença o amparar. E, diante de tal situação, era só o que ela podia oferecer.
Nem tampouco, foi o fato de haver uma ponte ali, entre eles. Há tempos ela via o rio da vida correr por lá e separá-los. Um para cada lado deixando aquela enorme distância física os vencer. Assim era e ela pouco podia fazer.
O que causou um grande espanto foi, da maneira mais suave que podia ser, ela entender que, aquela ponte, ele nunca iria atravessar…
(extraído de Helola's blog)

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